Nesta semana nós falamos sobre
aqueles garotos que iam mudar o mundo. Foram três reportagens que mostraram
a verdadeira natureza do MBL: interferindo na imprensa para punir um
adversário, rompendo com o bolsonarismo por qualquer outro motivo menos a
corrupção da qual Flavio Bolsonaro é acusado, e tramando artimanha ilegais
para fundar ser próprio partido. O que o MBL diria sobre o que o MBL andou
fazendo. A newsltetter de hoje é para
sugerir que vocês voltem ao passado. Em uma reportagem de 2017, nosso
colega do Intercept dos EUA, Lee Fang, mostrou como movimentos estilo MBL
foram gestados na América Latina para derrubar governos de esquerda. Quando
falo em público sobre o trabalho de Fang, muita gente pensa que é teoria da
conspiração. Então leia isso: “Chafuen cita diversos líderes
ligados à Atlas que conseguiram ganhar notoriedade: ministros do governo
conservador argentino, senadores bolivianos e líderes do Movimento Brasil
Livre (MBL), que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff – um
exemplo vivo dos frutos do trabalho da rede Atlas, que Chafuen testemunhou
em primeira mão. “Estive nas manifestações no
Brasil e pensei: ‘Nossa, aquele cara tinha uns 17 anos quando o conheci, e
agora está ali no trio elétrico liderando o protesto. Incrível!’”, diz,
empolgado. É a mesma animação de membros da Atlas quando o encontram em
Buenos Aires; a tietagem é constante no saguão do hotel. Para muitos deles,
Chafuen é uma mistura de mentor, patrocinador fiscal e verdadeiro símbolo
da luta por um novo paradigma político em seus países.” Alejandro Chafuen é “um
argentino-americano, passou a vida adulta se dedicando a combater os
movimentos sociais e governos de esquerda das Américas do Sul e Central,
substituindo-os por uma versão pró-empresariado do libertarianismo.” Ele
comanda a Rede Atlas, uma organização que conseguiu alterar o poder
político em diversos países, uma extensão tácita da política externa dos
EUA – os think tanks associados à Atlas são discretamente financiados pelo
Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy (Fundação
Nacional para a Democracia – NED), braço crucial do soft power
norte-americano. Escreve Fang: “A rede é extensa,
contando atualmente com parcerias com 450 think tanks em todo o mundo. A
Atlas afirma ter gasto mais de US$ 5 milhões com seus parceiros apenas em
2016.” Em 2016, vocês sabem, Dilma foi apeada do poder.” É importante seguir de perto o
MBL e não desprezar seu poder de influência. Eles fizeram mais de um milhão
de votos na última eleição e seguem com uma máquina de propaganda ativa.
Seu candidato a prefeito de São Paulo, Arthur do Val, o Mamãe Falei, vai
mal nas pesquisas, mas é o segundo candidato que mais anda bem nas redes
sociais, uma arena decisiva, cada vez mais. Tudo o que conhecemos hoje como
“gabinete do ódio” foi testato pelo MBL lá atrás – pressão em
personalidades, escracho público, mentiras – com treinamento e dinheiro de
fora do país. O MBL segue por aí, é parte do futuro da política. Eu sugiro
que vocês leiam a reportagem do Lee e depois leiam a nossa
série (que está logo aqui abaixo, e que tem áudios). Bom final de semana.
Leandro Demori Editor Executivo
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