
Mais um ano
em que Bolsonaro
envergonha o país na ONU
Em discurso previsível, o presidente
brasileiro descreve um país fictício
e minimiza as graves crises que o país
enfrenta no meio ambiente e na saúde
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| Queimada na Reserva Extrativista Jaci-Paraná, em Porto Velho (RO), em agosto de 2020, um mês após a publicação do decreto presidencial que proíbe as queimadas na Amazônia e no Pantanal. © Christian Braga / Greenpeace Olá FRANCISCO LAMBERTO, tudo bem?
O discurso do presidente Jair Bolsonaro na 75ª Assembleia Geral da ONU
aconteceu enquanto o país arde em chamas e testemunha a destruição de seus
biomas e suas riquezas naturais.
A política antiambiental do atual governo está derretendo a imagem do Brasil lá
fora e prejudicando a economia nacional. O presidente brasileiro
descreve um país fictício e minimiza a grave crise que o país enfrenta no meio
ambiente, ao
invés de cumprir seus deveres constitucionais em prol da proteção
ambiental e apresentar um plano eficiente para enfrentar os incêndios que
consomem o Brasil. O discurso do presidente Jair Bolsonaro na
75ª Assembleia Geral da ONU aconteceu enquanto o país arde em chamas e
testemunha a destruição de seus biomas e suas riquezas naturais. As imagens da
Amazônia, Pantanal e Cerrado queimando estão há meses chocando o Brasil e o
mundo sem que haja planos, metas ou orçamento capazes de proteger esses biomas
de forma concreta e eficaz. Mesmo com a proibição imposta pela moratória do fogo
desde 16 de julho, a Amazônia e o Pantanal registraram recordes de queimadas.
Até o dia 21 de setembro, o Pantanal registrou 5.966 focos de calor, um aumento
de 107% em relação a setembro todo do ano passado. Já a Amazônia registrou
27.660 focos entre os dias 1º e 21 de setembro, um aumento de 38% em relação ao
mês de setembro de 2019. A política antiambiental do atual governo está derretendo
a imagem do Brasil lá fora e prejudicando a economia nacional. O país que antes
já foi visto como liderança na questão ambiental foi o que mais destruiu suas
florestas no mundo todo, em 2019, segundo dados da Global Forest Watch. Em
2020 os dados mostram que a situação só se agravou. “Negar ou minimizar o drama ambiental que o Brasil vive
neste momento, resultado da política do governo Bolsonaro, agrava a difícil
situação que o país enfrenta. Lamentavelmente, já estamos habituados a ouvir o
presidente faltar com a verdade, desqualificar a ciência e buscar culpabilizar
terceiros em vez de assumir a responsabilidade constitucional que possui.
Entretanto, quando o faz na Assembleia Geral da ONU, diante de centenas de
líderes de países, de investidores e do mundo todo, o presidente piora ainda
mais a imagem do Brasil e agrava as sérias crises que enfrentamos”, comenta
Mariana Mota, coordenadora de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil. Ao contrário do que foi afirmado pelo presidente, os
incêndios na floresta amazônica são fruto da ação humana, sendo uma das
principais ferramentas utilizadas para o desmatamento, especialmente por grileiros
e agricultores, que o utilizam para limpar áreas para a agropecuária ou
especulação. “Ao invés de negar a realidade, em meio à destruição
recorde dos biomas brasileiros, o governo deveria cumprir seus deveres
constitucionais em prol da proteção ambiental e apresentar um plano eficiente
para enfrentar os incêndios que consomem o Brasil”, completa Mota. A crise do clima no STF Não é apenas a pressão internacional sobre o meio
ambiente que questiona a política antiambiental do atual governo. Ontem, dia 21
de setembro, um dia antes do discurso de Bolsonaro na ONU, teve início uma
audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a situação ambiental
no país e a utilização dos recursos do Fundo Nacional sobre Mudança Climática.
A audiência contou com representantes do governo e de organizações da sociedade
civil, entre elas o Greenpeace Brasil, e prossegue hoje, 22, com a participação
de especialistas e empresas. Entre os participantes estavam também cientistas, como
Carlos Nobre, Ricardo Abramovay e Thelma Krug, além de representantes de
institutos e organizações que puderam explicar, com base em dados, o desmonte
das políticas de contenção do desmatamento e o não uso do orçamento destinado
ao meio ambiente. Todos os dados foram entregues à Corte. A ex-ministra do meio
ambiente, Izabella Teixeira, afirmou em sua intervenção que hoje em dia não se
passa a boiada, se rastreia a boiada. Fabiana Alves, coordenadora de Clima e Justiça do
Greenpeace, ao terminar sua fala ao Supremo afirmou: “Temos que cuidar do nosso
país em vez de fazermos comparações com outras nações que nos levam a um
denominador comum que remete à devastação humana e ambiental, e a um
desenvolvimento econômico que já se provou insustentável em todo o mundo”. O desmonte de nossas políticas ambientais vai na
contramão da soberania defendida pelo presidente. Ser soberano é ser capaz de
agir com governança e eficiência para lidar com um país em chamas, além de
defender as florestas e o meio ambiente, patrimônios do povo brasileiro.
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