
FCO.LAMBERTO FONTESTrabalha em JORNALISMO INTERATIVOMora em ARAXÁ/MG
10 / 12 / 2021, DO SÉCULO 21
Por que Lula
O Brasil 247 e a TV 247 declaram, desde já, apoio à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acreditamos que ele reúne as melhores condições para reconciliar o País, trazer de volta o crescimento econômico, combater a fome e tornar o Brasil uma Nação novamente respeitada no mundo
Há três anos, no mês de
dezembro de um verão que se prenunciava tenebroso, eram consistentes e
disseminados os temores sobre quão resilientes seriam as instituições
democráticas brasileiras aos ataques que vinham sendo feitos à higidez de nossa
estrutura republicana.
Havia pertinência para tais apreensões. Afinal, em 2016 o Brasil consumou o impeachment sem crime de responsabilidade da ex-presidente Dilma Rousseff. O golpe jurídico/parlamentar/classista era um atalho que parcela da sociedade brasileira, derrotada em quatro eleições presidenciais, irresponsavelmente tomava para voltar ao poder.
Fingiam não saber: a Democracia não admite atalhos.
Quando alguns dos aventureiros embarcados na nau do golpe de 2016 se descobriram à deriva, em outro dezembro, o de 2018, sugeriram estar mareados com os solavancos que a vitória de Jair Bolsonaro no pleito assimétrico daquele ano passava a provocar no País.
Na verdade, começavam a se
assustar com os olhares assombrados que o mundo lançava para nós. Já ali, o Brasil 247 e
seus canais eram uma trincheira consolidada em defesa do Estado Democrático de
Direito, dos direitos e garantias individuais e da Constituição.
De lá para cá, tais trincheiras se multiplicaram. A
sociedade civil, diversos partidos políticos, as centrais sindicais e os
sindicatos; os movimentos estudantis, cidadãs e cidadãos têm se unido para
repudiar as ameaças fascistas, a escalada da miséria e a desagregação
econômica. O Brasil foi tomado de assalto por um grupo político de extrema
direita e liderado por uma família cujo chefe é uma criatura pérfida, vil,
despreparada, desqualificada para quaisquer funções públicas: Jair Bolsonaro.
Temos sido incansáveis em nossos veículos e canais. Nos perfilamos entre os pioneiros que denunciam as ameaças diuturnas ao equilíbrio institucional. Alertamos insistentemente o País das ilegalidades, das vinganças, dos recalques, das inconstitucionalidades, das iniquidades e das patranhas contidas em procedimentos investigatórios e operações promovidas desde 2014 pela “Força Tarefa da Lava Jato” ao arrepio das leis e das garantias constitucionais.
Tais assaltos se reproduziram, depois, nas sentenças
exaradas pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Ali, pontificava o então juiz
Sergio Fernando Moro, ex-magistrado hoje considerado suspeito e parcial pelo
Supremo Tribunal Federal.
Ao caírem as máscaras da parcialidade de Moro, ao serem
reveladas de forma incontestável as manipulações promovidas pelos procuradores
e delegados federais lotados na capital paranaense com o intuito de atuar
politicamente a fim de mudar o curso da decisão soberana das urnas, à guisa da
legitimidade do voto majoritário dos brasileiros, o porto onde o Brasil 247 estava ancorado passou a ser
ponto de convergência de mais e mais veículos de comunicação e também de
sujeitos diversos na luta pela restauração democrática.
À margem do atalho tomado por quem aderiu
irresponsavelmente ao golpe do impeachment sem crime de responsabilidade viceja
o saldo do assalto à Democracia: a fome retornou à paisagem nacional; a miséria
e o desemprego são ameaças palpáveis que desestruturam cidadãs, cidadãos e as
famílias brasileiras em todos os estratos sociais; a inflação voltou a ser o
maior inimigo da estabilidade econômica de uma Nação que se orgulhava de tê-la
vencido; o Brasil deixou de ser ator principal nos diversos foros
internacionais para se tornar vilão e coadjuvante na paisagem diplomática de um
mundo atordoado pelo cenário da pandemia.
O ano eleitoral de 2022 precisa ser, necessariamente, um período de transição política destinado a repor o nosso País na rota dos modernos Estados democráticos, das Nações que repelem com maturidade e dureza os aventureiros.
É intolerável sequer imaginar a ameaça e os riscos
representados pela possibilidade – hoje remota – de reeleição de
Bolsonaro.
Tanto quanto isso, não se pode naturalizar a tentativa do ex-juiz e ex-ministro desse governo ruinoso, Sergio Moro, de se vestir como político e almejar uma glória democrática imerecida. Moro solapou a Democracia, atuou ativamente para desmoralizar o Poder Judiciário como instituição republicana e foi agente ativo de todas as anormalidades e assimetrias produzidas nas eleições de 2018.
Aventureiros e abraçados às bandeiras da extrema direita
que desuniram a sociedade brasileira esses dois, Moro e Bolsonaro, usam o ódio
como combustível de suas práticas marginais à política.
À liderança a ser sagrada nas urnas da disputa presidencial não podem faltar a dimensão dos estadistas nem a magnanimidade e o espírito público das grandes biografias políticas. Será exigido dela a necessária e urgente reconciliação do Brasil. Certamente, mais de um candidato ou candidata apresentará tais credenciais aos brasileiros.
Sem abandonar nenhum
dos princípios éticos que regem o Jornalismo, basilares para nós e para nossos
canais, o Brasil 247 e a TV 247 declaram
desde já enxergar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o melhor
protagonista a quem a Nação deve entregar a missão de se reconciliar consigo.
Eleger Lula presidente da República pela terceira vez significa restaurar a esperança como bússola a nos conduzir de volta ao rumo que trilhamos desde 1985, quando a eleição indireta de Tancredo Neves inaugurou o longo e tortuoso processo de restauração democrática após a ditadura militar.
Será também uma reparação histórica a todos os males que perpetraram contra o
Brasil a “Força-Tarefa da Lava Jato”, os procuradores reunidos em Curitiba por
Deltan Dallagnol que agiam sob o comando antirrepublicano de Moro e o embuste
do discurso contra a política e os políticos apropriado por Bolsonaro na
campanha passada.
Não é tradição, entre nós, ver veículos de comunicação e canais de mídia declararem voto. Consideramos que fazê-lo, como ousam o Brasil 247 e a TV 247, é decorrência natural do processo de amadurecimento democrático.
Em outras
Nações, sobretudo nos Estados Unidos e na França, berços das revoluções
republicanas que forjaram o Estado moderno, isso é hábito e não provoca
sobressaltos.
Todas as correntes políticas que perfilam no campo
democrático seguirão contando com a cobertura equilibrada, profissional,
múltipla e simétrica dos nossos canais e veículos.
Denunciar injustiças, ser voz ativa da sociedade no
repúdio aos ataques contra a democracia, redobrar a energia na proteção dos
muros de contenção ao fascismo serão sempre o dever dos profissionais que
integram nossos veículos e canais.
A declaração de apoio do Brasil 247 e da TV 247 à
candidatura de Lula não nos afasta do Jornalismo nem de seus princípios. Ao
contrário, foi sopesada e, enfim, assumida para realçar a transparência da
nossa conduta profissional. Temos certeza que agir assim torna o ambiente
político mais saudável, faz os debates avançarem numa paisagem na qual todos os
protagonistas têm seus contornos definidos.
Todos os brasileiros estão convocados a fazer História
com seus atos e seus votos nas urnas de 2022. Omissões não deverão ser
toleradas. O ato inaugural do Brasil 247 e da TV 247 está
aqui. Nós o lançamos nas redes e esperamos que cumpra o destino de furar bolhas
e singrar oceanos – sobretudo aqueles que ora se apresentam com ondas adversas.
Navegar é preciso; o porto seguro está à espreita.
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