
FCO.LAMBERTO FONTESTrabalha em JORNALISMO INTERATIVOMora em ARAXÁ/MG
02 / 01 / 2022, DO SÉCULO 21
Jornalista,
editor internacional do Brasil 247 e da página Resistência: http://www.resistencia.cc
Acumulam-se
na
América Latina
fatores
de polarização política
Editor internacional do Brasil 247 opina
que
situação política e social na região é de intensa polarização
Por
José Reinaldo Carvalho, 247 - Há dois aspectos
salientes na conjuntura política latino-americana neste início de ano.
1) Em
2021 houve um acúmulo de lutas políticas e sociais, o que enriquece a
experiência dos povos e forças políticas progressistas. Não farei aqui um
inventário dessas múltiplas lutas, mas assinalar duas campanhas populares que
se destacaram pela força da mobilização, o caráter de massas, a combatividade e
o elevado grau de politização. Uma delas foi a jornada de lutas dos colombianos
nos meses de abril e maio, um verdadeiro levante popular de mais de 50 dias,
duramente reprimido pelo governo de extrema direita de Iván Duque. Apesar de
toda a brutalidade das forças policiais, o movimento conquistou vitórias
políticas, entre as quais a tramitação no Congresso Nacional de um caderno de
reivindicações de direitos humanos, civis e sociais, que se constituirão nas
linhas programáticas da luta política das forças de esquerda em 2022.
A outra
grande campanha popular latino-americana de 2021 foi a Marcha pela Pátria na
Bolívia, que neutralizou e derrotou mais uma intentona golpista da extrema
direita do país andino. De todos os cantos do país, marcharam a La Paz centenas
de milhares de bolivianos das camadas populares, o que resultou no recuo, ainda
que temporário, dos golpistas. Temporário porque certamente estes não vão
desistir. Mas a experiência recente, como as jornadas de luta contra o governo
golpista de Jeanine Añez, mostra o poder de mobilização do governo boliviano e
do MAS - Movimento ao Socialismo, um partido político cuja força deitou
profundas raízes no povo e constitui uma garantia da continuidade das
transformações políticas, econômicas e sociais no país que levam à consolidação
do Estado democrático-popular e plurinacional.
2) Igualmente, as forças progressistas
latino-americanas conquistaram importantes vitórias eleitorais em países como
Nicarágua, Honduras, Peru, Chile e Venezuela.
Na
Nicarágua, a reeleição de Daniel Ortega por ampla maioria derrotou as manobras
intervencionistas do governo Biden, que alegou fraude e anunciou novas sanções.
A Frente Sandinista de Libertação Nacional sai consolidada de mais este
embate.
Honduras foi
palco de uma luta que resgatou a democracia, 12 anos depois da destituição de
Manuel Zelaya da presidência da República.
Um professor
de escola primária, representante do "Peru profundo", venceu as
eleições presidenciais por uma legenda de esquerda, com um programa de
transformações em um país marcado pela opressão nacional e social dilacerado
pelo domínio neoliberal e ofensivas continuadas das classes dominantes para
liquidar a soberania do país.
No Chile,
Gabriel Boric, o candidato da coalizão "Apruebo Dignidad" (Frente
Ampla e Partido Comunista), venceu o pleito presidencial com votação consagradora,
derrotando de maneira contundente seu adversário da extrema direita. Ecos das
jornadas de 2019, quando uma rebelião popular disse não ao neoliberalismo e aos
resquícios da ditadura.
Enquanto
isso, na pátria do Libertador Simon Bolívar, o Partido Socialista Unido da
Venezuela (PSUV) conquistou em eleições regionais 20 dos 23 governadores do
país, além da Prefeitura de Caracas, uma das mais importantes. Uma eleição que
contou com a participação de forças oposicionistas e o acompanhamento de
observadores internacionais que confirmaram a legitimidade dos procedimentos
adotados pelo Conselho Nacional Eleitoral. Mais uma vitória do Chavismo, mais
um episódio da acumulação de forças da Revolução Bolivariana e do complexo
processo de edificação do socialismo do século 21 com peculiaridades
venezuelanas.
Em Cuba, a
lucidez, a firmeza, a força da Revolução e a unidade do povo em torno do
governo e do Partido Comunista derrotaram as intentonas de guerra híbrida do
imperialismo estadunidense e seus agentes internos.
As lutas
sociais e os embates eleitorais refletem uma crescente polarização entre as
aspirações populares e as políticas conservadoras e neoliberais, as correntes
democráticas e as de extrema direita. Esta polarização tende a permanecer como
o epicentro da luta política e ideológica, mesmo nos cenários em que a esquerda
vence. Sobre isso é necessário desfazer as ilusões de que vitórias eleitorais
das forças progressistas tendem a amenizar o quadro político, promover
distensões, dissuadir conflitos, alcançar por geração espontânea a estabilidade
e promover a conciliação nacional.
Em 2022, a tendência é de polarização
ainda maior se as forças progressistas triunfarem nas eleições presidenciais na
Colômbia e no Brasil.
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FELIZ 2022, HÁ RAZÕES PARA VOLTAR A TER ESPERANÇA! | Cortes 247

