
FCO.LAMBERTO FONTES
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10 / 07 / 2020
Espaço
Universo tem
relógio fundamental
batendo no peito
Redaçãodo Site Inovação Tecnológica - 07/07/2020
A proposta inclui usar os mais
precisos relógios do mundo
para testar a existência desse relógio universal fundamental.
para testar a existência desse relógio universal fundamental.
[Imagem: S.
Burrows/JILA]
Tempo como mecanismo
A proposta pode parecer estranha e difícil de compreender, mas
foi assim também quando a mecânica quântica foi proposta, há quase 100 anos -
quase todo o mundo continua sem entender muito a mecânica quântica, mas ela
funciona maravilhosamente, como nossa era tecnológica bem demonstra.
A ideia de um trio de físicos da Universidade do Estado da
Pensilvânia, nos EUA, tem tudo a ver com esse ramo da física: se tudo no reino
quântico é discreto, quebrado, composto de unidades individuais, ainda que
minúsculas - as tais quanta -, então deve ser possível entender o tempo da
mesma forma.
A proposta é a seguinte: O tempo não seria algo contínuo, que
flui suavemente do passado para o futuro; em lugar disso, se você olhá-lo
"de perto" o suficiente, verá que o tempo é formado por unidades
individuais, quanta de tempo, tique-taques minúsculos de um relógio que faz
parte da própria estrutura do Universo, tiquetaqueando continuamente para
manter tudo funcionando em harmonia.
Esta é a ideia que está sendo defendida por Garrett Wendel, Luis
Martínez e Martin Bojowald.
E eles até calcularam quanto dura esse "átomo de
tempo": 10-33 segundo.
O relógio fundamental permearia o Universo, algo como o campo de
Higgs da física de partículas, que dá massa às partículas. De modo semelhante
ao campo de Higgs, o relógio poderia interagir com a matéria e potencialmente
modificar fenômenos físicos.
Na tentativa de integração da mecânica quântica com a
relatividade,
alguns físicos propõem que o próprio
espaço-tempo seja gerado pelo entrelaçamento quântico.
alguns físicos propõem que o próprio
espaço-tempo seja gerado pelo entrelaçamento quântico.
[Imagem: Hirosi
Ooguri]
Relógio universal fundamental
É claro que os físicos ainda não entendem - e nem tentam
explicar - a natureza do tempo, e o que dá corda nesse relógio intrínseco do
Universo parece ainda mais misterioso, mas o trio acredita que pensar nesse
relógio fundamental pode ajudar a resolver o enigma do tempo.
Embora 10-33 segundo
seja uma fração de tempo largamente fora do alcance dos mais precisos relógios
atômicos, os físicos acreditam que essas maravilhas da precisão possam ajudar a
testar sua teoria de um tempo pulsando naturalmente na estrutura do Universo.
Em seu modelo, eles consideram dois osciladores, que agem como
pêndulos quânticos, oscilando em taxas diferentes. O oscilador mais rápido
representa o relógio universal fundamental, e o mais lento representa um
sistema mensurável em laboratório, como o átomo de um relógio atômico.
Quando os dois osciladores são postos para interagir, a natureza
dessa relação é diferente do que acontece com os osciladores clássicos, que são
acoplados por uma força comum. Em vez disso, o acoplamento é imposto pela
necessidade de que a energia líquida dos dois osciladores permaneça constante
no tempo - uma condição derivada diretamente da relatividade geral.
Há também teorias propondo que o
Os cálculos indicam que essa interação faz com que os dois
osciladores lentamente percam a sincronia. Essa dessincronização significa que
torna-se impossível para qualquer relógio físico manter indefinidamente
tiquetaques de um período constante, o que impõe um limite fundamental à
precisão de qualquer relógio.
Como resultado, os tiquetaques de dois relógios atômicos
idênticos, por exemplo, nunca vão coincidir com exatidão total se puderem ser
observados com a precisão suficiente. É aqui que entra o tal limite de 10-33 segundo, que seria a precisão
absoluta, na qual o tempo seria desmascarado, revelando sua verdadeira
personalidade - o fato de que, assim como tudo o mais no reino quântico, ele
não é contínuo, mas discreto, formado de unidades mínimas irredutíveis.
Testar
o atraso do relógio
Vai demorar para testar essa teoria, porque 10-33 é um intervalo pelo menos 1015 vezes menor do que o que pode ser
medido pelos mais precisos relógios atômicos, e mesmo 1010 vezes
menor do que o tempo de Planck, a atual proposta para menor unidade mensurável
de tempo.
Mas não é para desistir. Ocorre que medir a diferença de
sincronização entre dois osciladores é algo que não exige que se chegue ao
limite da unidade fundamental do tempo, podendo ser feito em tiquetaques muito
maiores.
Isso está entusiasmando os físicos porque essa possibilidade de
aferição traz o tempo, pela primeira vez, para a bancada de laboratório,
permitindo discuti-lo em termos experimentais, e não mais apenas filosóficos.
Bibliografia:
Artigo: Physical Implications of a Fundamental Period of Time
Autores: Garrett Wendel, Luis Martínez, Martin Bojowald
Revista: Physical Review Letters
Vol.: 124, 241301
DOI: 10.1103/PhysRevLett.124.241301
Artigo: Physical Implications of a Fundamental Period of Time
Autores: Garrett Wendel, Luis Martínez, Martin Bojowald
Revista: Physical Review Letters
Vol.: 124, 241301
DOI: 10.1103/PhysRevLett.124.241301




